segunda-feira, julho 02, 2007

NO LIMIAR DO IMENSO VAZIO...

Lá estou no imenso vazio binário (não, não é obra do Beto Richa).
Céu e terra confusos, ou dividido por um mar obscuro de ondas desalentadas, molham meus pés e a borla da túnica negra do cavalheiro de faces pálidas a minha frente.
Jogamos xadrês.
Na verdade ele joga e eu falo.
Ele nada diz.
Seria a morte?
Não pode ser a morte é mulher.
Seria o destino?
Seria apenas o FIM???
Eu: ...então. Resolvi dar uma passada por aqui e ver como é esse tal vazio. Paisagem européia, não? Escandinávia, Noruega... Podia rolar um solzinho, areiazinha ao invés desse cascalho. Esta é a fronteira para entre o ser e a aniquilação?

O Outro: (...)

Eu: Nunca fui bom de xadrês, sei jogar damas, dominó, banco imobiliário, war. Não quer jogar war?


O Outro: (...)

Eu: ...Desculpe. Estou sendo trivial num momento que deveria ser solene. Está bem. Antes devo dizer uma coisa; as vanguardas são desinteressantes! Pronto falei. Nada de novo é criado. Tudo é revisão de um capítulo existente, mas esquecido. Veja o Dadá (não confundir com o cavalheiro que também se vira com bonecos), abstracionismo, desconstrutivismo, o moderno... nada além do suprimento das necessidades aniquilantes da guerra. O teatro é sempre teatro. O que há de inventar além do teatro? O cinema poderia ter sido a etapa seguinte, mas já não é teatro. A maior vanguarda deve ao menor autor teatral do passado. Que interessante há de se “criar” a nova linguagem teatral? Que interessante há de se “convidar a platéia à reflexão”? Por acaso sou algum pastor para desejar a conversão de alguém?

O outro: (...)

Eu: Beleza! Não quero atrapalhar o joguinho. Aproveitei a visita para instituir minhas palavras terminais. Esta opinião será fatal. Tudo que eu disser, escrever e declarar aqui, será cristalizada pela eternidade desse ambiente... Pode ser? Posso alugar, por assim dizer, o teu cenário?

O outro: (...)

Eu: Quem cala consente. Qualquer dia desses eu volto. Falou!





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