quarta-feira, julho 18, 2007

A CELEBRIDADE DA IGNORÂNCIA

O homem de manto negro, jogando xadrez na praia inóspita.
Opa, posso sentar aqui? Só vou falar algumas palavrinhas e já caio fora. Xiii, vão comer tua rainha. Deixa quieto.

O ano está bom para cultura, já para usina atômica e transporte aéreo, não. Para condomínios a coisa está meio psicopática...
Enfim, o pessoal dos títeres está trabalhando um monte. Eu estou trabalhando bem mais. Mas há de se crescer no conjunto. Não adianta o bolso estar saudável e a percepção turva.
Alguns meses atrás estive num desses festivais star system. No camarim, vinho almadén, cerveja bohêmia, salgadinhos. No palco, equipamento e equipe profissionais.
Convidei o meu amigo e colega blogueiro Sergião, para minha sonoplastia e assim desfrutar de uns momentos no outro lado da platéia.
Encontramos uma estrela em franca ascensão, um colega bonequeiro. Saudei-o vivamente ao que respondeu:
- ...depois de tanta batalha, agora estou aí, (no dito festival) entre os melhores!”
Estas palavras não saem da minha cabeça. Aparentemente denotam a constatação redundante de um artista de sucesso para outro artista (eu). Mas foi um desabafo. Deve ter ouvido muito em permanente mudez. Eu ao contrário caço a oportunidade para revidar a crítica e a impertinência. O verniz civilizatório não ficará mais arranhado do que já está se eu devolver uns pitacos, desde que estejam embalados num bem-intencionado celofane cor-de-rosa. Estaria esse meu colega bonequeiro em uma cruzada? O que ele quer provar e para quem? A quem ele quer mostrar que é uma pessoa famosa? Famosa fazendo teatro de bonecos !?!

E fazendo teatro de bonecos as pessoas circulam no star-system. Sentem-se glamurosas, agem diligentes e desenvoltas com o crachá da vaidade.
Não esqueço o reencontro com outro colega, gaúcho (GAÚCHO!!! Em uníssono os curitibanos).
Cumprimento-o:
- Oi, M... !
E “M” responde com a voz melíflua de sua opção sexual:
-“ Eu te conheço?”
A gramática fashion é tudo!

Respondi que ele não me conhecia porque eu não tinha amigo gay. Ele incrédulo:
-“O quê?”
- “Ninguém agüenta, além de viado é surdo.”

Não devia ter dito isso pro “M”. O pessoal do Sul é finíssimo. Nunca espero uma descortesia deles. O “eu te conheço?” me pegou tão desprevenido que disparei sem pensar essas palavras estranhas e inconscientes.

E eu achava o ambiente titeritesco tão mais cooperativo, amistoso...

Bom , já vou. Vai ficar sem pião...

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