segunda-feira, julho 21, 2014

REVOLTA, TUMULTO, E O VASTO RESUMO DE ATITUDES INÚTEIS

Esse blog está paradão, admito. Primeiro porque é um saco por parágrafo. Toda vez tenho que pesquisar how do it. E outra, estou com uma tremenda audiência de leitores estrangeiros que não fazem a menor idéia do que escrevo. Parece que lêem por ler. Escrevo, talvez, para meus fiéis dois leitores que estimulam demais meu exercício caótico e claudicante, mas graças a ele tornei-me ousado e destemido da petulância alheia. Vá.Fato é que agora decidi dar um passo verdadeiro para o Nirvana. Claro que não comprei uma guitarra, nem aderi ao anti-depressivo. Cheguei ao ponto em que a vida balança tanto na corda-bamba que caí no samba só pra me distrair. A arte de ir levando é uma arte nada tímida, mas decididamente corajosa. Algo muda sem o deslocamento geográfico. Algo permanece sem deixar reminiscência. Eleva sem suspensão... e blabla. Acho que estou naquela idade de pacificar inimigos. Sair da linha de tiro e se fazer inútil. Cultivo um certo abatimento na face e um interesse por tons madrepérola: parte interna de conchas, cascas de bambu, fascias musculares, alguns ossos, exoesqueleto de alguns insetos... ainda tenho um pequeno sonho de conhecer a China, mas vai passar.

quinta-feira, novembro 07, 2013

O TEATRO É A SALVAÇÃO PARA O TÍMIDO: DESDE QUE... (THEATER IS THE RESCUE FOR TIMIDS: BUT...)


Um dos meus mais lidos posts é O Teatro não é a Salvação dos Tímidos. Numa impressionante proporção de 700% a mais do 2º post mais lido neste blog. Alguns comentários criticam minha postura. Então é preciso saber o que é o teatro para cada um. O teatro é para quem assiste ou para quem faz? O teatro deve agradar (mesmo sendo desagradável) ou provocar repulsa (a completa repulsa)? Minha opinião é que o teatro atravessa por todas essas condições. É um estado, um nível de existência: o indivíduo existe em casa, veste os uniformes para o trabalho, suas máscaras quando caminha na rua, dirige o carro, encontra amigos e coleta outras quando assiste televisão, transita pela rede virtual ou vai ao teatro. O teatro para quem faz é um território livre com regras. Pode agir de modo livre, mas há regras. Na verdade o teatro imita, reproduz, descreve a liberdade; mas está preso a poderosas normas da estética, do belo. Uma norma severa no teatro é o tempo. Nenhum sentimento resiste ao tempo. Nada é permanente na vida e o teatro é a placa de Petri onde a prova ansiosa se manifesta indiscutivelmente. O tempo é o rigoroso sensor e censor da fala, do discurso, da frase. O que é um tímido? Talvez alguém anacrônico, arritmado. Sua demora em encontrar a ação, a fala adequada o faça ser tímido. Seria aquele cuja ferida não cicatrizou, portanto inseguro pondera aguardando mais indícios de normalidade para obter seu desejo. Conhecer seu território, lidar com situações conhecidas isso a maioria das pessoas, sendo tímidas ou não precisam fazer. Quem não possui essa habilidade em plena funcionalidade torna a timidez evidente. Num maior ou menor grau todos somos tímidos. É por isso que se encontra peças de teatro previsíveis, aborrecidas. Porque andam em chão confortável e isso as pessoas encontram em casa, na rua, no trabalho... mesmo com as notícias do jornal, mesmo com os acidentes, crimes que possam ocorrer com elas ou com pessoas próximas... no teatro aprofundado algo nada tímido, nada confortável, nada preso ao solo, nada sólido, consistente e seguro, acontece. Assim: a música não pode ser tímida, a poesia não pode ser tímida, a novela não pode ser tímida, a pintura/ escultura, instalação não podem ser tímidos... porque senão os tímidos não apreciarão a Arte.



One of my most read posts is the “Teatro não é a salvação dos tímidos” (Theater i'ns't rescue for Shy Ones- unfortunatelly not translated, really sorry!). An impressive rate of 700 % over from the 2nd most read post on blog . Some comments criticize my stance. First, It's necessary to know what is the theater for each one. The theater is for every public or who does? The theater should appeal (even if unpleasant ) or provoke revulsion (complete disgust) ? My opinion is that the theater goes through all these conditions . It is a state, a level of existence: the individual exists at home, wear uniforms to work, their masks when walking in the street, drive the car , find friends that love or not and other conventions when watching television, transits through the virtual network or go to the theater . The theater is for those who make a territory free with rules. Can act freely, but, even there, there are rules. Actually the theater imitates, reproduces, describes freedom , but are stuck with powerful bounds of aesthetic and beauty. A severe rule in the theater is the time. No feeling resists time. Nothing remains in life and the theater is the petri dish where the evidence manifests arguably anxious . Time is the rigorous sensor and censor speech , the speech of the sentence . What is be timid ? Maybe is someone anachronistic , without rithmin. His delay in put himself in action, finding the proper speech, makes him a classic shy one. It is one whose wound has not healed and ponders awaiting for more signals of safety to target to his desire . So knowing his territory , dealing with familiar situations is the what the most people have , being shy or not . Who does not have this confortable skill turns shyness relevant. Everyone is timid in a more or little grade. That's why some plays are predictable, boring . They raise on the comfortable floor and so people knows at home, in the street , at work ... even with the news of the newspaper , even with accidents , crimes that may occur with them or people close ... A deep Theater something nothing shy at all comfortable , nothing stuck to the ground , nothing solid , consistent and secure, happens . Thus : the music can not be shy , poetry can not be shy , the novel can not be shy , painting / sculpture, installation can not be shy ... because otherwise the timid ones do not appreciate the art

segunda-feira, abril 22, 2013

FALOU POUCO, FALOU BONITO/ BRIEF SPEAKING, BEAUTY SPEAKING


Tem dia que a sensação é de lobos atrás de cada porta. Hoje o sol e brisa fria visitam pela varanda. A gata siamesa faz a toalete. "
"Depois da correria, trabalho duro, braços solicitados; a tensão se foi, outras estão por vir, a calmaria entre tempestades. "
"Intriga como o pensamento cede à preguiça, satisfeito, igual tentáculos soltos à deriva... este momento largado. "
"Silêncio sólido. "


" SOME DAYS FIGURES AS WOLVES BEHIND EVERY DOOR. TODAY THE SUN AND BREATHING VISITS THROUGH BALCONY. THE CAT BATHING INTO THE LIGHT. AFTER HURRY, HARD WORK, EXHAUSTED ARMS; STRAINING GONE, OTHER IS COMMING... BRIEF CALM INSTEAD. ASTONISHING HOW THINKING SUBMIT TO LAZINESS, CONTENTED, AS TENTACLES DRIFTING INTO THE SOLID SILENCE.

quarta-feira, abril 10, 2013

OS BONECOS DE PULSO DE ZAKHAROV


Tive a oportunidade de conhecer o trabalho da italiana Laura Bortolomai e seu boneco de pulso. Pesquisando na rede encontrei o seu mestre, Vladimir Zakharov. Aqui uma tradução parcial do texto em Russo em seu site e alguns vídeos de trechos do espetáculo do mestre. Empenhei uns bons dois meses para traduzir e encontrar esse material; acredito que essa técnica seja muito relevante e pode abrir uma avenida ou perspectiva, de novas descobertas de manipulação. Abaixo, uma coleção de vídeos de um espetáculo. São três vídeos que perfazem 30 minutos. Uma nova classe de boneco é chamado “boneco de pulso”, “Cucla na Zapiést'ié” em fonético russo. Seu designer é Vladimir Zakharov, um homem extraordinário, especializado em robótica, ator, cantor, escritor, escultor. Criou e desenvolveu esse novo tipo de boneco. Olga Kushkova não é somente sua esposa mas sua musa no teatro. Olga e Vladimir fazem tudo eles mesmos: constroem bonecos, escrevem as peças, atuam etc. Cada uma de suas peças é o evento de suas vidas; são completos, brilhantes e reais. Uma vez que você os tenha assistido tornar-se-a fã para sempre. Zakharov deixou a carreira de engenheiro em design robótico, trabalhou por alguns anos em uma companhia de teatro de bonecos de Tomsk, no sul da Russia, chamada “Skômaróh” (Palhaço). Os bonecos de bem conhecidas produções da companhia, no período, foram construidas por ele. Por fim , Zakharov e Olga deixaram a Cia. Skômaróh para se aplicar em sua própria companhia de bonecos. A primeira produção foi “Jam iz Struchka” , algo como “João do Pau”, escrita por eles mesmos. O conhecimento em robótica teve grande interferência em seu teatro de bonecos. Sem confiar em suas habilidades manuais na manipulação do boneco buscou suprir sua própria deficiência com extensões mecânicas. Não tinha um ideia inicial e foi buscando, tentando encontrar algo satisfatório. O protótipo de sua invenção foi um boneco fixo na mão em que os dedos indicador e médio funcionaram como pernas. O momento mais importante foi encontrar o controle da cabeça através do movimento da mão e do antebraço. Com surgimento deste boneco, ficaram estimulados a fazer outras peças. A tarefa em seguida foi descobrir em que espaço este novo boneco poderia explorar. A primeira peça após essa longa busca resultou num palco, um cenário apropriado, com grande efeito dramático a muito desejado. Ao lado da caracterização das personagens, a peça colocou algumas questões como: seria interessante para crianças, adultos, e até mesmo para aqueles que o escreveram e se puseram a atuá-lo. Nas primeiras experiências de pintura tentou-se algo tradicional, mas isso logo demonstrou-se equivocado. Um boneco vívido não necessariamente corresponde a uma pintura sem significado na face quando se tem olhos e bocas vivos. A cabeça construiu com madeira e os para os olhos usou esferas negras. O olhar tornou-se mais inteligente, o boneco me sí ficou mais suave e vivo ao tratar a adeira apenas com cera de abelha. A partir disso tornou-se tradição usar o raiz de cedro para a confecção dos bonecos. O cedro provou se ótimo, de preferência, para combinar sistemas de boca e olhos. Alem da simplicidade da estrutura, a conveniência e confiabilidade é tanta como os de papier machê. O principal cuidado na construção do boneco é o ajuste para que o boneco torne sensível a qualquer movimento da mão do ator. Assim o boneco é capaz de responder a tudo por si mesmo. Alguém percebeu que o boneco protótipo não estava respondendo corretamente. O mecanismo de transferência entre a cabeça e o pulso ficou colocado muito acima do pulso, sob a manga da camisa e isso dificultou as ações. O projeto seguinte a esse protótipo resolveu alguns problemas como: esconder os controles sob a mão, evitando que no fundo do boneco o sistema se enrosque no pulso e seja possível ao ator trabalhar coma mão aberta (sem luva), trabalhar o controle da boca e dos olhos, acionar as mãos e dedos do boneco e assim lidar com algum adereço ou objeto, mudar a posição da mão. O novo boneco tornou-se isso possível trabalhar lado a lado com um ator em igualdade de vivacidade.

segunda-feira, abril 01, 2013

MAIS UM CASTING... (after in English)


Na busca pelo conhecimento e grana, este ator bonequeiro de meia idade encarou uma fila para a vaga na TV Cocoricó; ao lado de colegas e gente desconhecida: amigos de grupos renomados, um ator global, dois paranaenses, um gaúcho e um ilustrador a procura de um novo rumo na carreira. Lamentavelmente eu e demais experimentados atores forjados na estrada de festivais e duras apresentações em locais precários, fomos decepados de súbito, apenas quatro candidatos se destacaram entre trinta restantes (número aproximado).

Por quê? Por causa do retorno de imagem da câmera. O teste principal consistiu em elevar um boneco de espuma com a mão direita na cabeça e dedos acionando a boca. A mão esquerda simulando a mão do boneco. Encenando um diálogo, lido, texto num suporte à altura da cintura. Logo abaixo a tela monitor, o candidato vendo o próprio desempenho de manipulação e enquadramento. Acontece que os monitores devolvem imagem invertida para o espectador, a direita torna-se esquerda e o contrário; uma desconcertante inversão de lateralidade. Esse simples efeito derrubou, vexame, vergonha, bonequeiros tarimbados ao chão dos iniciantes. Como se jamais houvesse pego um boneco de espuma na mão! Na minha vez após, perplexo, assistir o embaraço dos colegas, não conseguí enquadrar a mão nua diante da câmera! Os dedos não obedeceram, tinham vida própria! Um descontrole total, embora conhecendo o efeito, pois uso o retorno de imagem da minha filmadora. É difícil, mas não é como dirigir um Boing. No teste percebi que andava na beira do precipício e ia despencar a qualquer momento. Fernando Gomes, o diretor- criador do Cocoricó, usou uma metáfora para o teste: "um olho no gato e outro na panela". Tentasse dar uma vassourada no gato acertaria a minha perna, olhasse a panela cairia de cara no fogão.

Então achei o enquadramento do boneco, fixei o olhar na câmera (sem muita precisão)e prendi o braço direito na orelha, para que na cena o boneco não caísse. Gaguejei, insegurança antiga. O boneco não saiu do enquadramento, mas perdeu o olhar. Com a visão periférica tentei corrigir o olhar, prejudicando um pouco a tranquilidade da cena. A cabeça do boneco pendeu com a tendência do pulso oscilar para o lado do dedo mínimo, embora acredite que ele esteja nivelado. Não, a mão faz o que é mais facil, mais eficiente, prefere dobrar a munheca pelo lado do dedo mínimo do que pelo polegar.

Bem, diante dessa luta pela qualidade técnica é óbvio que não foi um desempenho alegre, esperava compensar isso numa segunda etapa que não houve.

A TV Cocoricó gravita em outra órbita. No teatro sofre-se na busca pela originalidade dramatúrgica e gostos pessoais. A crítica individual é atenta para as repetições e ignora a interpretação. Na música a criação é respeitada, mas como se sabe que a divindade não é um fenômeno corriqueiro, contenta-se com uma excelente performance. Os visionários do teatro costumam adotar uma face de aversão ao comércio e indústria da diversão. Os meninos e meninas que iniciam a carreira teatral seduzidos pelo glam das novelas, passarelas, tapetes vermelho são desdenhados pelos pastores da estética teatral. O teatro deseja ser poeta, mas o poeta solitário. O Cocoricó com suas franquias, merchandises, incursões nas grandes salas de teatro está preocupado com o que uma criança diz e quer ouvir. Eles e todas as agências publicitárias.

Por que nós que dependemos de Lei de Incentivo, programas de difusão e patrocínios não estamos pensando nisso? Por que a rígida disposição para criticar, e quase nada para ouvir a sociedade?

(in ENGLISH)

In the quest for knowledge and money, here, this middle-aged puppeteer actor faced a casting-test for a job vacancy on TV Cocoricó; alongside, colleagues and strangers: Friends of renowned groups, a soap opera ex-actor, two from Paraná State, a gaucho and one illustrator demanding a new career direction. Unfortunately I and experienced actors, forged on the hard road, festivals and presentations on local hard precarious, were suddenly severed, only four candidates were selected among thirty other (approximate number).  

Why? Because the screen return of the camera image. The main test was to raise a foam puppet with my right hand on his head and fingers engaging the mouth. The left hand was the left hand of the puppet. Acting a dialog, reading a text on a stand at waist height. Just below the screen screen, to see that the candidate's own performance handling and framing. It turns out that the monitors returning a mirror image to the viewer, but right becoming left and the opposite, a staggering reversal of laterality. This simple fact dropped, shame, shame, seasoned puppeteers from skillfully ones to the ground, as if they never caught a puppet of foam on hand! In my time after, perplexed, watching the embarrassment of colleagues, could not frame the bare hand before the camera! The fingers did not obeyed, they had lives of their own! A complete disarray, though not unknown effect, I'd used the return of on-screen image crystal from my camcorder. It is difficult, but it is not a tragedy. In the test I realized I was walking along the edge of the cliff and would plummet anytime. Fernando Gomes, director-creator of Cocoricó, used a metaphor to the test: "an eye on the cat and the other in the pan." Tried to give a cat on broom would hit my leg, looked the guy would drop the pan on the stove.

So I thought to keep the framework of the doll, I fixed her gaze on the camera (without much precision) and held my right arm in the ear, so that in the course of the puppet scene was not falling. Stuttered in reading, insecurity old. The puppet did not come out of the frame, but lost the look. With peripheral vision tried to fix it, what do look a little disturb to the scene. The head of the puppet tilted with the bend of the pulse oscillating toward the minimal finger although it is believed that it is flush with minimal finger and thumb on the same level. No, the hand does what is easier, more efficient, prefers to bend the wrist by the side of the little finger than the thumb.

Well, before this fight by technical quality is obvious that there wasn't a sporty performance, I wished to compensate that in a second stage that there wasn't.  

TV Cocoricó gravitates another orbit. In theater suffers in the quest for originality dramaturgical and personal tastes. The critique is attentive to individual reps and ignores the interpretation. In music creation is respected, but as we know that the deity is not a trivial phenomenon, so, ones contents itself with an excellent performance. Visionaries in theater usually adopt a face-aversion for trade and entertainment industry. The boys and girls who start theatrical career seduced by glam novels, catwalks, red carpets are scorned by pastors of theatrical aesthetics. The theater wants to be a poet, but the poet lonely. The Cocoricó with its franchises, merchandises, inroads in big theaters are worried about what a child says and wants to hear. They and all advertising agencies.

Why do we whom depend on Incentive Act, broadcast and sponsorship programs are not thinking about it? Why the strong disposition to criticize and nothing to listen to society?

quinta-feira, março 14, 2013

MANICURE PARA TIGRE


Não critico mas sou criticado. Seria sintomático, mas qual o motivo de ouvir tanto que sou briguento? Seria pelo blog? Nem ataco tanto assim... Tenho um grave defeito, talvez percebido pelos meus inimigos, absorvo a crítica com intenção de autoanálise. Antigamente era uma auto flagelação básica, um mea culpa cristão simplizinho. Digerindo a condição de que algumas pessoas me acham um tigre, durante o dia, acabei por descobrir que sou um bichano bem manso. Fui assistir um filme no cinema de um shopping. Metro lento, cheguei atrasado e tive de enfrentar uma fila de velhinhas, casaizinhos, que demoravam para decidir a melhor poltrona. Pronto! Diante da única bilheteira numa linha de oito baias de atendimento pergunto se poderia entrar na sala: posso sim! Ingresso inteiro de R$16,00, passo uma nota de R$20,00. Não tem troco... hahaha, vai ter sim, respondo. "Não vai ter não", devolve a bilheteira menor de 18 anos. Seria estagiária? Primeiro emprego? Pois era esforçada a garota, solicita com profissionalismo de pálpebras semicerradas se não tinha outra forma de pagamento. Será que eu tinha? Sei lá, fiquei bravo, não não tinha. Ela então joga a nota diante de mim. Pensei, parar a fila, vou dar piti... ah, isso é tão paulistano! Isso é tão "olha amor, mais um que perde a boa". Peguei os R$20,00 e disse um tá bão e saí. Não estamos dando muito poder para esses varejistas? Num mundo em que as pessoas querem se trancar e a publicidade cobra fortunas para encontrar um meio de seduzir as pessoas a largar seu recente plano de TV HD, abandonar seus amigos na rede social... um idiota num cinema, restaurante, boteco se comporta como um funcionário de repartição pública. Cinemark do Shopping Santa Cruz, vai querer arriscar? Pronto fui para cortar,mandei afiar as garras, grrrrrr!
E estamos de volta!!!!! - BRISALENTA EM MOGI DAS CRUZES EM ABRIL. - OFICINA DE MANIPULAÇÃO DE LUVAS - CORPO DO FANTOCHE - EM ABRIL Breve darei os detalhes!!!

sexta-feira, janeiro 04, 2013

2013 SERÁ MAIS UM ANO OU OS MAIS INCRÍVEIS 12 MESES?


Ah meus queridos dois leitores, que pergunta instigadora! Vou responder com outra pergunta: e 2012 foi mais um ano ou os mais incríveis doze meses? Isto não é um sofisma. 2009 foi tragico, 2010 só faxina e remendo; 2011 navegando à deriva e em 2012... bem, se relerem os posts abaixo terão um breve relato do ano. 2012 foi bom. Não foi extraordinário nem arrebatador, não saí do chão na verdade caí sobre ele, beijei-o... Assim, permitam fazer algumas apostas para 2013.

1ª aposta: tenho ouvido que 2014 será o ano do Brasil na Alemanha, portanto é natural que um projeto venha a tona em algum lugar de São Paulo, O Anel dos Nibelungos. Alguém vai montar um espetáculo baseado nessa ópera.

2ª aposta: não tenho convite, nem sondagem, nem intenção mas eu sinto nos meus ossos. Vou fazer uma viagem internacional em 2013. Não sei para onde nem com que finalidade.

3ª aposta: um nome de consenso nas artes cênicas vai surgir, um avatar (um redentor da Humanidade) belo, talentoso, irretocável entre os gays, esse nome será invejado, copiado e amado por todos. E não será eu...

4ª aposta: outro país irá falir e desencadear outra crise mundial financeira.

5ª aposta: outro virus, outra doença estranha.

6ª aposta: com a descoberta de substâncias imunizantes no sangue de ursos pandas devido à sua dieta de gramídeas, novas descobertas irão concluir que o sangue de adeptos da macrobiótica possuem substâncias muito mais imunizadoras e compatíveis, tal descoberta desencaderá uma caçada por macrobióticos; uma novo tipo de sequestro estampará às manchetes...

7ª aposta: uma nova raça canina vai bombar no mercado de pets.

8ª aposta: outro "novo" pastor evangélico vai bombar na tv.

9ª aposta: não haverá catástrofes naturais de grande dimensão... um furacãozinho básico no golfo do México, dois terremotos que nem serão notícia na Ásia.

10ª aposta: errarei todos os meus prognósticos lotéricos, arre!

Lamentarei: outro ano passará e as pessoas continuarão amando o medíocre, as imbecilidades da televisão, folclorismo disfarçado de erudito, mais do mesmo, nada de experimento... insegurança, medo, a repressão da ousadia, a desintoxicação da vertigem, a intoxicação sôfrega pelo sedativo...

segunda-feira, dezembro 03, 2012

A EPOPÉIA E OS LUGARES


Dezembro de 2012, faleceu Décio Pignatari. Esse não será o melhor dos obtuários, pois tive um breve e tenso convívio com o mestre, tive o prazer de ouvir algumas de suas histórias, episódios de bastidor da poesia e literatura geral. Tive tambem o dissabor de levar uma xinchada, me perdoem, homérica. Fui contrarregra e seu guia numa ópera multimídia. Como devem saber, qualquer coisa multimídia é um território muito perigoso, principalmente para um , na época, octagenário como Décio Pignatari. Devia fazer alguns ajustes de cena e levá-lo até o centro do palco, obscuro e após a récita, trazê-lo, seguro até uma cadeira no bastidor. Ocorre que alguém muito significativo no trabalho, sugeriu que eu deveria quebrar com a regra da contrarregragem, romper com a figura comportada e discreta do contrarregra. Aí vestí uma saia agarradíssima e entrei. Estávamos em São José dos Campos, eram alunos de algum curso noturno, não era necessário muito estímulo para a eclosão de uma manifestação juvenil, digamos, jocosa...os meninos urraram, mas alguém disse que vaiaram. Se vaiaram? Não sei. Do meu ponto de vista, vaiaram a vivavaia oswaldiana, aquele da Semana de 22... O Mestre desconsiderou esse fetiche e explodiu: - Você me arruinou!!!!!
Pronto desde então tenho isso no meu currículo: fui o rabo de saia que arruinou poeta!!!

domingo, dezembro 02, 2012

PAULISTÂNIDAS DEZEMBRINAS


...último mes da temporada do POR UMA ESTRELA da Cia. TRuks, da qual todos os meus dois leitores sabem, faço parte do elenco. Tem sido uma luta diária viver em São paulo, distante da minha amada e do meu filhote. Mas trabalhar na Truks tem sido uma aula. Um dos tópicos do aprendizado é a dimensão paulistana. São Paulo é um dos umbigos mundiais, ponto! Curitiba não; e dificilmente será. Dois pontos!!! Em Curitiba um alvoroço era Luiz Melo aparecer nos eventos. Aqui num único final de semana do POR UMA ESTRELA apareceram a Denise Stocklos, Gabriela Rabello, Dib Carneiro e outros corpos celestes que fui incapaz de nomear. Luiz Melo é ótimo, mas para uma capital que deseja ser cultural... Curitiba sofre de monocultura.XXXXXXXX Falava da São Paulo como umbigo mundial. Só aqui posso encontrar lego para o meu filho a preço não tabelado. E se quiser preço melhor posso encontrar o pesssoal que traz de tudo nas malas que passam pelo aeroporto de Cumbica. Agora por exemplo, procuro por um lego fora de linha, que saiu do catálogo. Só em São Paulo posso encontrar na av. do Cursino, algo que nem em New York tem!!!XXXXXXXX Sinto falta das minha luvas, de levantar meus fantoches. Jogar num time como a Truks é bom. Ultimamente estou até recebendo elogios em algumas jogadas. Mas sinto falta das minhas raquetes, do meu esporte individual, do Brisalenta, do Luvazine, do Shishi... do bom Gato por Lebre. Continuo os meus exercícios mas apresentar é outra coisa. Tenho vontade de aprender tocar um instrumento: guitarra, acordeão... para não calcificar os dedos!!! Acho que é paranóia.XXXXXXXXXXX Teve o festival do Sobrevento cuja essência é abordar uma condição. E eles tocaram na fragilidade. é engraçado falar em fragilidade e convidar um espetáculo iraniano cujo solista é praticante de kung fu e o espetáculo foi um exercício de estertor marcial. Foi chocante, foi estarrecedor, foi ótimo.XXXXXXXX ... e os Hermanos Oligor retornaram com a mesma performance para revelar que a história do protagonista coincidentemente do performer, em que ele é abandonado pela amada é uma ficção, para estarrecimento dos crédulos. Nunca me importei em averiguar a veracidade das narrativas, já que a vida ensina que a realidade é relativa e portanto realidade não quer dizer verdade. Mas achei admiravel ele não tentar criar uma franquia teatral e partir para o projeto de vinicultura. Aliás um excelente vinho; comprei uma garrafa.XXXXXXXXXX Aiaiai! A bateria está indo embora e talvez não tenha tempo de voltar a escrever... tchau!

quarta-feira, outubro 31, 2012

Entrevista


Aos meus dois leitores desse blog. A entrevista do administrador na TV Cronópios. Tá aí!

domingo, outubro 28, 2012

Cinquenta tons de um frapê de café


Tenho sido bastante condescendente com o trabalho alheio. Não sei se a cafeína de frapê acabou por provocar uma súbita ira, mas não pude me conter ao ver um teatro de fantoches na livraria Saraiva. Uma empanada de madeira singela, uma pequena caixa de som de home theater e um único refletor pendurado na frente do palco, como um chifre de rinoceronte, prenunciava uma deliciosa apresentação para as crianças. Música de playback, antigas músicas de trilhas sonoras de peças dos anos 80 e 90, ah vai, qual o problema? Falta o pagamento para o ecad? Mas subitamente o boneco mestre de cerimônias, a marca da companhia agradece ao "papai do céu" pela presença das crianças. A cia. era evangélica, e sorrateiramente divulgava a palavra do seu "Senhor", para as crianças e pais incautos. Isso mais as barrigas, as manobras de luva mal feitas, os apelos do personagem MC da peça para que não esqueçam o seu nome... despedaçaram meu encantamento. Era um SENHORA peça comercial. Um produto de baixa qualidade, um refrigerante com um sapo morto dentro, um restaurante com baratas subindo pelas paredes. Mas o maior insulto foi a condescendência dos consumidores, os pais. Tão ciosos em pagar por aulas de mecatrônica no jardim de infância. Felizes em apresentar os doces e a coca-cola aos bebês. Eles próprios, pais, adultos, se matam no trabalho para poder saltar na piscina do consumo e prestações de juros criminosos. Com tal fome voraz com que consomem a religião que lhes pede 10% do seu salário bruto. Deus quer parte do seu salário. Deus precisa do seu salário. Esse é o sacrifício de Iacov, que não vacilou em levar seu primogênito no topo da montanha para imolar, cravar a faca na garganta da criança como prova de fidelidade religiosa; como você pode reclamar de pagar o dízimo, a contribuição religiosa, a cota do carnê? Será que os adultos não vêem nem isso? Será que estou paranóico? Será que estão perdendo a mínima referência racional, de que um espaço laico como uma livraria deve respeitar pelo menos em vender livros com as capas certas, que não quero consumir um Liev Tolstói e encontrar a saga do padre Marcelo ou as dicas de enriquecimento do pastor Malafaia. Quanto mais meu filho que vai ver um conto dos irmãos Grimm ou Charles Perrault, sei lá em qual versão, e dá de cara com a do Edir Macedo, pô!!!! Que bola fora!

segunda-feira, julho 30, 2012

2ª Edição da TV BRISALENTA


Para quem duvidava (eu inclusive) que o programa iria durar... saiu a segunda edição!!! Não com a qualidade do primeiro, lógico, ficou pior!!! Mas vamos trampando para chegar num nivel insuportável e enfim enterrarei a idéia. Kkkkk!

terça-feira, julho 24, 2012

Tv BRISALENTA


Pois é gente... sou brasileiro e não desisto nunca. Aqui mais um projeto que vai bombar nas redes sociais. A minha televisão!!!!! O meu programete feito às próprias custas, com os meus bonecos, minha camerazinha iluminado com abajour, desse jeito mesmo. Ainda não sei qual o público-alvo. Por enquanto eu atiro em quem passar na frente (que infâmia!!!)... talvez uma criançada esperta, nada bobinha. Quem sabe! Me ajude pessoal. Divulgue a iniciativa do velho Mia. E ajude a me livrar das garras dos editais governamentais! Help!

domingo, julho 22, 2012

LENDAS E MITOS SOBRE O TÍTERE


O BONECO É MELHOR QUE O ATOR:
Não sei por que ouço de alguns doutos palestrantes, habilidosos oficineiros, o argumento, como o disco de chocolate em letras douradas sobre a bomba de creme, arrematando o enumerado de vantagens do títere: ... alem do mais, o boneco faz o que seria impossível do ator fazer, voar, morrer várias vezes etc. Essas frases, repetidas muitas vezes, incitou uma análise atenta. De que forma o boneco seria melhor que o ator? Primeiro, gostaria de saber quem emitiu esse enunciado sem qualquer premissa. Pois, se a dramaturgia assim desejar, um ator seria impedido de falecer e ressucitar? Que seria de Peter Pan se um ator não pudesse ser suspenso no ar e na imaginação? Que seria do ator sem as asas da metáfora? Assim que conversa é essa de que um boneco transita no território da impossibilidade, muito mais que um ator? Talvez, o contexto dessa frase tenha sido mal interpretado e que contexto é esse não faço idéia. Pois um ator com habilidade de intérprete com o próprio corpo ou um títere, ou mesmo um objeto, é sempre ator.
QUAL É A MELHOR TÉCNICA?
Existe isso? Todos sabem que não. Mas de repente alguém deixa escapar que a luva é mais fácil, o fio é mais difícil. Eu por exemplo acho que fazer o que os Yang Fengs fazem é algo próximo de calcular o padrão de trajetória da caminhada de pombas ciscando pipoca num parque. Outros dizem que a manipulação direta, transversa é fácil; eu acho que não. A verdade é que, isso poucos admitem, existem artistas geniais, que interpretam, manipulam seus bonecos magistrais de tal forma inimitável!

segunda-feira, julho 16, 2012

FRIO NO INVERNO??? - COLD IN WINTER???


Os Hermanos Oligor estão morando no Brasil e ocuparam a cafeteria do Espaço Sobrevento, onde servem vinhos e tapas. Os Oligor apresentaram em 2011 As Atribulações De Virgínia, no mesmo espaço e em vários festivais no país com grande sucesso. O espetáculo/performance/evento acontecia num reduzido picadeiro com uma platéia apertada em uma arquibancada de um circo provavelmente projetado para ser armado em quintais... mas que coisa maravilhosa foi aquilo! Jomi Oligor o protagonizante do... daquilo no mais esplêndido dos sentidos, em conversa foi inquirido sobre um novo projeto. Jomi respondeu que sempre era cobrado por isso, mas que agora estava envolvido num sonho de recuperar uma casta de uva vinícula que estava em vias de extinção. Que satisfação em revê-lo com os vinhos engarrafados e acima de tudo prová-lo. Uma meia taça de um vinho denso, com tinta escura, sabor aveludado... ah, gostoso praca!!! Leia aqui, vc. que gosta de vinhos: VINHO CIENTRUENOS Como se numa escrivaninha de um escritório empoeirado do vinhedo alguns papéis, anotações em folhas de caderno pautado, dão conta de que uva é aquela. Uma foto mostra o parreiral abandonado, caules bulbosos, grossos, antigos que de repente lançam algumas hastes longas, como fios de cabelos saindo de um crânio calvo. Esse resgate de um dna, foi ouvido aqui e o vinho pode ser degustado no Espaço Sobrevento ou no D.O.M de Alex Atalla. No Sobrevento uma meia taça degustativa sai por entre R$6 e R$8, e a garrafa por R$60. No DOM eu não sei... Se vc. for ao Sobrevento nos finais de semana às 20h., agora em julho de 2012, poderá pagar para beber o vinho, e assistir gratuitamente O THEATRO DE BRINQUEDOS. Valle!
Espaço Sobrevento Rua Coronel Albino Bairão,42 Brás, São Paulo-SP A duas quadras da estação Bresser do Metrô, não se inquietem com a escuridão e a condição erma das ruas, é seguro por lá.
Alguns perguntarão por que tanta paixão de um ator bonequeiro por uma saga literária sobre marinha naval inglesa. Patrick o'Brien escreveu as aventuras do capitão Jack Aubrei e seu companheiro de jornada , o médico naturalista e espião da coroa inglesa Stephen Maturin. Não sei se justifica, mas acho que a mecânica de uma caixa cênica se compara às amarrações e cordame de um veleiro. Reparem nos cabos que seguram o urdimento num palco como são semelhantes às enxárcias, aqueles cabos que sobem até as velas dos navios. Acredito que a partir dessa engenharia toda a condução interpessoal do teatro assemelha-se aos comandos e tripulação de um navio. Vejam o gosto pelo butim incerto em busca do carregamento de ouro espanhol será, como no teatro acaba sendo a mesma razão que motiva um elenco a empreender a incerta jornada teatral! Odeio frio no inverno!!!
ENGLISHED The Oligor Brothers, a spanish theater group, are living in Brazil and occupied the coffe shop on Espaço Sobrevento in São Paulo. They offer in menu wine and tapas. The Oligor presented “Las Atribulaciones de Virginia” with great success with public. The show/play/performance/event are played for a audience together like sardines in a can, in a tight ring of a circus probably made for backyards... but what wonderfull thing was that!!! Jomi Oligor, the master in scene/player/performer was asked for a new show. He replyed he was always charged for it, but his new dream is to recover a 60 years old vine in their way to extinction. What satisfaction to find him again with the bottled wine and above all expectation, taste it. A half glass of a wine dense, dark... oh, very yummy! As a dusty office of a vineyard, some papers, notes in sheets of ruled notebook, describes about the grape. A photo shows the abandoned vineyard, bulbous stems, ancients, thicks, suddenly they cast some wires as a hair in a bald head. This rescue of a dna was heard here in Brazil and could be taste in Espaço Sobrevento or in Alex Atalla 's D.O.M., an expensive restaurant in São Paulo. In Espaço Sobrevento a half glass cost R$6 to R$8. In D.O.M., i don't know the cost. If you go to Sobrevento in weekends at 20h., now in July, 2012, you could buy the wine and enjoy a free puppet theater, THEATRO DE BRINQUEDOS. It worth!!! Espaço Sobrevento: Rua Coronel Albino Bairão, 42 – São Paulo-SP. Near two squares from Bresser METRO station. Don't be afraid of dark streets and some beggars, the street is pretty safe. Somebody ask why so much passion from a puppeteer to a book of about a old Royal Navy saga. Patrick Obrien wrote of adventures of Captain Jack Aubrei and his journey body, the physician, naturalist and Crown recruited spy, Stephen Maturin. Maybe this not justified but I guess the mecanic of scenic box of theater is very similar to teh rigging and ropes of a boat. The ropes that holds the screens and rods in stage are similar with riggings. I believe that as this engineering all directions and relationship in theater resembles with the commands and crew in ship. As like the taste for uncertain booty in search for shipment of Spanish gold, will be, as in theater the same greed that moves the cast to endeavor a uncertain theater journey. Cold in winter sucks!!!

segunda-feira, maio 14, 2012

VAIDADE, EGO E OUTRAS PRÓTESES DO ATOR


Tietê-SP, 2012
Rio Tietê 150km da capital
Votuporanga-SP, 2012
Estou para completar cinco meses na cia. Truks. Quando chegar a seis acendo um charuto que queimarei nas ruas da Vila Gumercindo, respeitando a Lei Antifumo. Com óbvia intenção pedagógica a permanência no quadro da Truks tem sido muito surpreendente; descobri aptidões latentes em mim, que jamais pensaria em exercer nessa vida. Jamais imaginaria memorizar cinco espetáculos, um espetáculo por mês!? Estar na Truks está sendo um exercício de humildade. Alcancei meus orgulhosos 45 anos porém feri meu orgulho ao ver diminuído minha capacidade de explosão muscular. A rapaziada hoje em dia possuem habilidades corriqueiras que antigamente (nossaaa!!) meus contemporâneos não tinham. O convívio com a diferença etária requer habilidade diplomática extrema em qualquer lugar e alí é preciso vigilância para não ceder às provocações como num debate com um jovenzinho impertinente dizendo-se tradicional e portanto respeitador dos mais velhos. O mesmo jovenzinho que num acerto de contas numa reunião denunciou-me por ser pouco "mano" ao não compartilhar da tristeza coletiva por um pequeno fracasso num espetáculo; respondi que do alto da minha experiência seria preciso fracassos verdadeiros para arranhar minha serenidade... Cara, é bom ser velho, vivido, ter o corpo marcado pelas cicatrizes do tempo; e para mim, mulheres marcadas pelo tempo são personalizadas pela vida, falou? Ser dirigido por alguém que se respeita é muita sorte. Novamente aquela palestra do Grotowski em 1993. O ator que elimina a dualidade entre a atuação e a mirada do público. Vou entender assim. Qual é a virtude e o vício do ator? Ego. O ego do artista é ao mesmo tempo musa e nêmises, inspiração e derrota. Portanto o ego não é o melhor apoio do ator, aliás bem se sabe que o ego não é bom para nada no fim das contas. É um poderoso entorpecente que cobra alto a fatura no dia seguinte. A boa direção, por mais que venha a lamentar por essa declaração, é aquela que aniquila o ego implacavelmente. Bons diretores são os cruéis, impiedosos e escravocratas; estes produzem atores soberbos pelo simples fato de destruirem o ego do ator. Este ator, finalmente está apto a ser moldado por qualquer direção. Existe suplício maior do que dirigir um ator que não é capaz de responder a um pedido de ação no palco? Um pedido de cinco passos no palco e ele dá dois... porque dois e não os cinco? Porque não quatro ou seis? Mas o ator egodicto dá dois passos e nada mais, nada menos. Henrique Sitchin é um matador de egos. Ele ostenta troféus de egos abatidos, narra a epopéia de egos fugitivos como caçadas a Moby Dicks. Percebi essa oportunidade de permitir o homicídio do meu ego. Meu ego. Um senhorzinho intranquilo, incapaz e reclamão. Cego circunstancial, pouco voluntarioso e muito abatido. Cheio de auto comiserações, cheio de verdades a serem ditas. Teoricamente percebo como a ausência desse senhorzinho permite fluir as ações de maneira muito mais tranquila. É como se toda vez que fosse fazer um trabalho esse senhorzinho tivesse que fazer seu discurso sobre os assuntos frívolos que acreditasse ser importantes. Ego não serve para nada! Portanto, calar e agir quando gente jovem e menos experiente que eu, ordenar; calar e agir quando o diretor mandar; para mim, um velho que muitos colegas cravaram o epitáfio de "mestre", estar na Truks está sendo um período de treinamento zen-budista há muito desejado.

quinta-feira, maio 10, 2012

ARTE E O IMPALPÁVEL- ART AND INTANGIBLE


Navegando num mar de puro deleite, pondero sobre a insatisfação humana. Há dia que tudo ocorre como planejado, que a aventura provoca surpresa; há dia que o peito aberto acolhe a adaga furtiva de alguém próximo e a amarga mistura de frustração e incapacidade contamina o peito. Onde está o espírito da arte? No coração, na mente, nos olhos? Como despertar nas pessoas a admiração pela recriação através dos símbolos no gesto teatral? A próxima pergunta que atormenta meu mais profundo sonho é, será que todo artista esta cônscio de que a razão de lidar com símbolos é recriar o que já existe através de uma luz diferente da que usualmente se manifesta. Será que todo artista acessa esse estado de arte? A vida é plena de símbolos onde desde a mais superficial leitura até ao profundo mergulho expressa a dor e o prazer do nascimento, do existir e da morte. Todo o cantar, toda mancha, todo ritmo deseja invocar esse estado de arte, essa região impalpável, jamais descoberta completamente, sempre nublada e desconhecida. A obra de arte é como uma criança sempre jovem, capaz de brilhar com megatons infinitos, de alterar a rota dos planetas, mas frágil tão frágil que morre diante do primeiro olhar reprovador! Como pode? Não sei, mas assim é!
Sailing in a pure delight sea, I thought under unsatisfaction of humanity. There are days that everything happens as planned, when the adventure causes surprise. There're days when the openned chest receives a sneak dagger from someone around and hte bitter mixed of frustration and failures contaminates the heart. Where's the spirit of art? In the heart? In the mind? In eyes? How to awaken people's admiration for the recreation through the symbals in the theatrical action? Next question that haunts my deepst dreams is: is every artist is aware that the reason for dealing with the symbols is recreate what already exist through a different light from that usually manifest. Does every artist accesses the state of art? Life is plenty of symbols from which the most superficial reading, or the most deepest expression of pain and pleasure of birth, existence and death. All singing, all ink stain, any pace you want to invoke this state of the art, this region intagible, ever discovered completely, always cloudy and unknown. The masterpiece of art is as a eternal child, able to shine with endless megatons, to change the route of the planets, but fragile so frail that dies before the first reproachful look! How it's possible? I do not know, but so is.

sexta-feira, março 30, 2012

FELICIDADE BRUTA 2- HARD HAPPYNESS 2

Domingo à noite voltava de um apresentação, cansado da viagem tomei o metrô e ainda tinha um kilômetro de caminhada. Os últimos passageiros saíram comigo, umas tres pessoas que apertaram o passo. Apesar do mp3 no ouvido, olhei para trás e ví um cara numa moto, ao seu lado corria um cara de boné, como que entregando jornal pelas casas. Mas percebi algo de errado, ele vinha em minha direção. Era um assalto. Minha reação foi sorrir, pedir calma e levantar os braços. Procurei em suas mãos uma revólver, ele tinha um punhal enferrujado apontado para mim, mas encolhido bem perto do corpo dele, prevenido contra a reação de vítimas mais heróicas. Pediu o celular, mostrei meu motorola modelo 1999 (do bug do milênio-nunca deu problema. Ele olhou, devolveu, montou na garupa da moto e se foi sem despregar os olhos de mim. Do episódio o que mais gostei é que nem uma gota de adrenalina caiu na corrente sanguínea! Comi uma refeição leve, não tive pesadelos e acordei sorrindo. Se viver bem é ser feliz, acho que para ser feliz é preciso um pouco de planejamento. Estava condicionado a não reagir a um assalto. Estabeleci como ordem não dar um golpe infalivel de jiu-jitsu, nem o soco de meia polegada no peito do assaltante. Depois, revendo a situação, ví que era o assaltante tinha conhecimento, estava focado no celular (não quis dinheiro, relógio ou roupa, esperava uma reação e me avaliou, me leu, viu que eu não usava roupa descolada, tênis caro e por fim celular da hora. Deixou-me ir apesar de levar o macbook e uma filmadora HD na mochila com o zipper quebrado e lona rasgada... Seria mais feliz se imobilizasse o assaltante e livrasse a sociedade do meliante? Seria feliz varado pelo punhal enferrujado (calcule as consequências, a mídia, uma grana inesperada de uma ajuda, seguro...). As vezes digo que sou ateu, e a descrença é contra a instituição religiosa que admoesta regras morais com sacrifícios pessoais para o enriquecimento da instituição. A regra moral é cidadania, bom convívio com os vizinhos, a tribo. Uma alcatéia de lobos sabe disso, não é necessário fé no dogma. Fé de que se eu trabalhar para minha igreja estarei livre do mal. As pessoas entendem felicidade como uma confortável estabilidade, isenta de mudanças que exijam esforço para retornar àquela posição confortável. Pense assim, racional, previdente ou crente: Uma força opressora terrível impõe a você duas escolhas; de um lado a execução sumária do seu filho ou filha. Um deles. Do outro o massacre de cem crianças que você jamais encontrou, ou conheceu, sem nenhum vínculo pessoal. Estão diante de ti; seu filho e do outro as cem crianças. Imediatamente a sua escolha de vida a sentença é imposta. Como seria sua vida depois de testemunhar cem crianças trucidadas após a sua decisão? Poderia caminhar sobre as próprias pernas após rejeitar seu filho, ver cem crianças vivas sobre o sangue do teu filho? Ser feliz pode ser o aguardo da dor insuportável. ENGLISH
Sunday night I was returning from a puppet session, tired from the trip I took the subway and still had a mile to walk to home. The last passengers got out to me some three people who pressed the pace. Despite the mp3 headphone on ear, looked back and saw a guy on a bike and other one running by his side, as like delivering newspapers to homes. But I noticed something wrong, he came towards me. It was an assault. My reaction was to smile, get calm and raise my arms. I looked your hands for a gun, he had a rusty dagger pointed at me, but shrunk very close to his body, warned against the reaction of most heroic victims. He asked for the cellphones, I showed my motorola model 1999 (from the millennium bug, never gave problem). He looked, gave me back the cell phone, mounted on the back of the bike and went without taking hir eyes off me. From the episode I liked most is that not wasted a drop of adrenaline into the bloodstream! I ate a light meal, I had not nightmares and woke up smiling. If living well is to be happy, be happy is to make a little planning. I was conditioned not to react to an assault. Established a order do not give a infallible blow of jiu-jitsu, or the punch-half inch in the chest of the assaltant. After reviewing the situation, saw that the assaltant got know how of his job, was focused on the cellphone (did not want money, watch, or clothes), expecting a reaction and evaluated me, read me, saw I was not wearing cool clothes, expensive shoes and finally no special cellphone. He let me go despite having the macbook and an HD camcorder in the bagpack with the zipper broken and torn canvas ... It would be happier if the assaltant immobilized and rid society of the perp? Would be happy if the dagger pierced me (calculate the consequences, the media, an unexpected money for aid, insurance ...). Sometimes I say I am an atheist, and unbelief is against the religious institution that admonishes moral rules with personal sacrifices for the enrichment of the institution. A moral rule is citizenship, good contact with the neighbors, the tribe. A pack of wolves know it is not necessary faith in the dogma. Faith that if I work for my church will be free from evil. People understand happiness as a comfortable stability, free from changes that require effort to return to that comfortable position. Think so, rational, farsighted or a believer: A terrible stranglehold imposes on you two choices: on one hand the summary execution of your son or daughter. One of them. Otherside, the massacre of a hundred other children that you never met, or with no personal connection. Are before you, his son and the other one hundred children. Immediately to your choice of life sentence is imposed. How would your life after witnessing a hundred children slaughtered after his decision? Could walk on his own legs after rejecting his son and see a hundred children living over the blood of your son? Being happy can be the unbearable pain of waiting.

quarta-feira, março 28, 2012

FELICIDADE BRUTA

A FGV está formando os parâmetros para aferir o FIB, a felicidade bruta interna num país. A idéia lançada pelo Bhutão, um país no Himalaya propõe que a qualidade de vida da população não pode ser calculada apenas pela capacidade de consumo ou produção de riquezas. Diz-se que o brasileiro é um povo feliz, pode ser. Interessa saber? Você é feliz? Outro dia no facebook um amigo postou uma frase de um desses padres bonitões e disse que as pessoas invejam a felicidade alheia a ponto de isolar os felizes. Assim, pelo alto, a felicidade é um saco! Contestei esse amigo e a resposta foi um ataque indireto das "amigas" desse amigo, evidentemente me arrolando na categoria daqueles que INVEJAM a felicidade alheia. Para arrematar esse amigo responde em caixa alta que amava a família, deus, a igreja... (chega né?) e por aí afora. Nossa, como a TFP está próxima de mim! Ser feliz é entorpecer, não importa de qual droga. Seja a química de laboratório, seja as endorfinas cerebrais. O estado de felicidade faz ver ouro no chumbo. É bom para passar o tempo mas provoca um série de transtornos no convívio social, uma hora vai haver decréscimo no índice de FIB dessa pessoa. Para mim ser feliz... deixa pensar qual seria meu ideal de paraíso provocador de uma maremoto químico. Como diria a mulher disposta: o que me deixa úmida... não seria uma überwomen, de um certo modo uma fonte monetária um pouco durável provocaria um delicioso deleite... ah, sim! Minha piscina de felicidade seria um NÃO e um FAZER. Primeiro eu queria não pagar mais contas, ou ter uma tamanha poupança que seria suficiente para eu por tudo e débito automático e esquecer de pagá-las. Queria fazer coisas divertidas.

terça-feira, março 13, 2012

SAMPA REPORT

Ah meus amigos perdão. Tenho deixado todos ao léu. Confesso que a rotina e as seduções do facebook tem atraído minha atenção, além da completa falta de assunto. A vida na Truks não é facil. Acordo 5h da manhã para tomar o metrô e o trem da CPTM entre 7:20, 7:50h. no máximo. Isso significa que posso não chegar ao trabalho no horário, pois outro dia o metrô parou porque alguém entrara na linha; no outro o trem parou porque estourou um quebra-quebra na estação do Brás. em casa chego entre 19 e 20h, coisa abominável viver em São Paulo. Criativamente, eu diria, no campo das artes, estou trabalhando numa marionete, mas ela está em Botucatu e tenho visitado muito pouco minha esposa e filho... na Truks estou experimentando o método Truks, embora não seja especificamente metódico, mas é mais um deixar fluir, um modo de ser Truks. O método é defendido com punho cerrado pelo Henrique Sitchin, não teci qualquer julgamento ainda, pois estou... deixando fluir.
Eu na mesa do Sesc de São José do Rio Preto, operando "A Bruxinha"
JORNADA INTERIOR O bom de ser velho é que nada mais impressiona e sendo veterano nenhuma guerra é suficientemente válida que mereça 100% do empenho. Apesar disso o mundo ao meu redor eu vejo esforço doloroso, frustração e frases vazias. É incrível a disparidade entre o discurso e a ação. É inacreditável como as pessoas se imbuíram da fala do político, da ética política e da inação política. Como não sou "todo mundo". Levanto, tomo minha guaraná e faço meu trabalho. Vejo uma certa infelicidade na incongruência, somente isso. Não é um julgamento pois o caminho é individual, a viagem é coletiva; o convívio é impermanente. No altos destes 45 anos, em breve 46, aprendí a ver e calar-me. Guardar segredos inauditos no baú da ponta da língua tem sido um jubiloso troféu. Quando a mente silencia uma pergunta reverbera: aonde eu quero chegar? ... Sinceramente, eu precisava ganhar na loteria!

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

O TREM DE JOHN CAGE

Janete El Haoli- agência UEL
Aqui no RADIOFORUMBR, um rádio blog que toca música contemporânea, sound designs, paisagens sonoras, trilhas de teatro, dança... coordenado por uma equipe, mas principalmente pela Janete El Haoli, a quem tive a sorte de assistir sua inusitada defesa de doutorado na USP. Aqui "O Trem de John Cage"de Tito Gotti. São três percursos registrados, uma viagem sonora que vai nos tomando, envolvendo. Ouça AQUI e aproveite para embarcar em outros passeios.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

TRUKS REPORT

Qual o tecido da imaginação? ZOOILÓGICO, S. Bernardo do Campo-SP, 2012
O que você diz diante do espelho? Frases como: "vou chegar lá"(?), "vencerei"(?), ou, "meus inimigos hão de lamber minhas pegadas" (Afe!)... Ótimo! E quando chegar lá, quando venceres e teus inimigos descobrirem que teu desodorante podólogo é ótimo? É uma questão retórica, pois não sei bem se cheguei onde queria estar, não venci coisa alguma e não desejo a derrota dos meus inimigos a quem só quero uma saudável distância e que encontrem outros inimigos mais empenhados que eu. Enfim, o fato é que para quem não soube agora empresto meu talento e energia para a cia. Truks de São Paulo, um grupo de animação de bonecos a quem respeito, desde os anos 80, quando nem imaginava ascender ao sacro tablado, quanto mais insuflar vida a imagens inertes feito um demiurgo anacrônico.
Robson em ZOOILÓGICO, fixando suas máscaras, invocando pequenos deuses inauditos, antes do espetáculo.
Estou na Truks para preencher minhas deficiências. Essas deficiências são habilidades que admiro em outros artistas e que até agora não estava obtendo êxito em conseguir. São atitudes prazerosas, algo que motivou-me no início e aos poucos fui perdendo. Algo que fazia parte do meu atuar e foi castrado por direções e métodos exógenos do bem-viver. Uma adorável atriz, Maria Bozzanigo uma vez disse: (...) não é possivel invocar a dor psíquica toda vez que for interpretar um drama, é preciso preservar o núcleo onde reside sua individualidade."
Robson e Henrique Sitchin em ZOOILÓGICO.
Qual é a função do ator? Hahaha! Pronto respondido. Para que dar respostas? O ator não busca soluções, não tem ferramentas para essa função. Não adere à verdade. Pois nem ele acredita na sua mais confiavel fala. O ator tem os meios da fraude, a mais divertida e cômica fraude. Lágrimas de crocodilo; ora, substitua o crocodilo por uma bela rapariga: heis a verdade? A Truks tem essa retumbância emocional, esse golpe no peito. Seria a trilha sonora emprestada de filmes hollywoodianos? Seriam os hot-subjects do menor abandonado? Criança com déficit de atenção? Biografia de um imigrante refugiado da guerra? Mas e o ator dentro desse debate do indivíduo massacrado? Como produzir a verdade na animação de bonecos diante do desmascaramento dos apelos dos filmes de Spillberg?
CIDADE AZUL ainda na caixa
. Ao ator cumpre viver, questionar cabe ao estudioso, acadêmico, ao douto. O príncipe budista é alvejado pela seta em plena guerra, cercado de cuidados, vivo, deseja saber quem lançou a flecha mortal, qual sua motivação, por quê a seta não atingiu outra pessoa... fosse o príncipe um ator, faria o registro da visão de sua trajetória até atingir seu corpo, da dor pungente e pediria celeridade nos curativos... Fazer rir, fazer chorar, calar as pessoas e fazê-las ponderar... nem que seja ponderar sobre uma inverdade.
Neguinho esperando para entrar na CIDADE AZUL

sábado, janeiro 28, 2012

STAND FOR ANYTHING

Enquanto as idéias não vem, na velha condenação que o pai/patrão impôs à humanidade... fato é que não tenho postado nada por aqui, certo. Estou aprendendo, aprendendo muito. Se para aprender é preciso ouvir, ouvir e deixar para falar depois. Estou em São Paulo, com nada de acesso a rede, muitas vezes sem câmeras para registrar momentos como agora, num shopping, cercado de crianças gritando "começa, começa...". Estou trabalhando numa companhia de teatro de bonecos, de renome, ainda batalhando pelo espaço, como um iniciante, eu, um verdadeiro iniciante; já que o método de trabalho dista diametralmente do meu. Não direi que é um grupo grande já que grande é algo como o circo do sol. Mas é um grupo maior que eu, com mais problemas, com maior movimentação de dinheiro... pronto. O espetáculo vai começar, as pessoas estão entrando. E vou pedindo desculpas aos meus fiéis leitores, prometendo em breve, alguma conclusões sobre o mercado, a arte e...as consequências de tudo isso nas minhas costas!

quarta-feira, novembro 16, 2011

O EX- LIVREIRO DOADOR DE IDÉIAS

E nesta quarta pós feriadão a Cris Oliveira dá a dica da palestra do Zé Luiz Goldfarb...quem? O cara foi o dono da Livraria Belas-Artes!!!! Ele é um figura. Contou coisas da livraria e minha cabeça foi se esparramando de memórias, a Belas-Artes era passagem obrigatória das idas à avenida Paulista. Comprei muito álbum de histórias em quadrinhos, acho que foi lá que comprei O Mahabharata na versão do Jean Claude Carriére, da Brasiliense... Certa vez eu fui cambista e a grana que ganhei do ato contravencional eu torrei num "As Aventuras de HP e Giuseppe Bergman"de Milo Manara, sobre um cara comum, com todos os bias cognitivos, todos os erros de julgamento, que é contratado para viver uma AVENTURA que seria registrada pela empresa contratante; a história era da década de 80 ou 90, Big Brother era uma ameaça e o trampo de cambista foi uns ingressos que ganhei de um Alto executivo de um banco japones para um evento no MASP. Pedi um e ganhei uns dez convites, o que fiz, fiquei na bilheteria vendendo os convites. Faturei o equivalente hoje a R$150,00!!! Visitava a Livraria Belas Artes desde os 13 anos. Engraçado que logo ali tinha o Bar Riviera, o point da Rê Bordosa (alguem se lembra?). Só entrei no Riviera no seu ocaso. aos 13 anos ia nas duas Belas-Artes: livraria e cinema. Talvez pela conjunção de espaços culturais (foi nessa época que o termo surgiu), talvez pelo mero cruzamento de avenidas, talvez pelo bar em si; as tribos povoavam a região e por conseguinte a livraria. Foi lá que tive minha primeira experiência de convívio com a diversidade sexual: sapatas, homos, e outras categorias bacanais inacreditáveis! Sem crise, passantes... coloridos e brilhantes.

sábado, novembro 12, 2011

TEATRO EM CASA

Na quinta-feira, 20h. apresentei o LUVAZINE na garagem de casa. Pusemos bancos, cadeiras, servimos tubaína e compareceram 28 pessoas. A Luciana, com síndrome de eventos do facebook, temeu que a rua Xingu fosse invadida pela turba. Não sendo uma pré-adolescente gracinha, não temi por isso. Aguardava por 100 pessoas tendo convidado algo em torno de 300. Queria reviver os tempos de Ridimunho Mindim, como um baile de formatura perfeito, mas o equipamento me pegou: cd player enguiçou, troquei pelo macbook, um trambolho atras da cabine; o headset não parava na cabeça e os refletores à luz de velas resolveram queimar tudo antes do tempo escurecendo as cenas um pouco depois da metade da peça. Outra coisa que quebrou minhas pernas é que faltou-me presença de espírito! Quando saí de Bauru era mordaz e implacável nas críticas, era jovenzinho e não media as palavras. Depois de Curitiba, uma terra onde qualquer escriturário se comporta como coronel, perdi uma parte da velocidade do pensamento, de tanto segurar o tigre!! Outra desvantagem mental de Curitiba é a incrivel falta de inimigos, mas inimigos fiéis e cortezes, que comparecem nos duelos, provoca um buraco na mente da gente!!! O inimigo curitibano é desleal, predador sem a menor admiração pelo adversário. Para falar bem é preciso, malhar a conversa, opinar, ouvir e opinar! Lugares em que opinar é má conduta produz uma gente pacata, reservada e mal humorada. Teatro assim é difícil! Na apresentação, com algumas cenas novas que dependiam da minha eloquência desgastada, ficaram prejudicadas. Espero recuperar a velha mordacidade bauruense... Outra coisa inusitada que percebi foi a estranha conjunção de mulheres bonitas, inteligentes e why not: gostosas; assistindo o espetáculo. Tinha homem, claro! Maridos, crianças. Mas foram as mulheres que se manifestaram positivamente. Um ou dois homens vieram opinar sobre o espetáculo. Em Curitiba era o contrário. Uma maioria masculina expressava-se mais. …................... TECNOLOGIA DA BELA ARTE DE ATUAR ...............Para ser músico é preciso aprender a tocar um instrumento e algo mais. Ninguém diz : “dá esse violão ae que eu vou tocar!” Para ser malabarista, equilibrista, trapezista é preciso treinar. Ninguém diz: “que fácil vou tentar!” Já o teatro não. Para atuar basta entrar para um grupo, escola e em seis meses a pessoa estará suando frio a beira de um palco prestes a dar seu salto mortal diante da massa antropofágica, doida pelo seu tropeço que pode acontecer ou trocar pela coroa da glória celestial do aplauso convicto do bom desempenho. Embora seja uma “arte acessivel” aos poucos o ator vai percebendo que existe alguns aparelhos, gadgets, softers a ser adquiridos para melhorar a performance da sua arte. E que sem esses instrumentos, acessórios complementares a arte vai ficando ultrapassada, cansada, feia por fim.

domingo, novembro 06, 2011

NOVEMBRO, SEMPRE EM FRENTE, SEMPRE CORRENDO!

Em 2009 sai de Curitiba para São Paulo, Shopping Eldorado, para fazer o teste para Charlie & Lola. Eu rodei e o mais inexperiente com bonecos, o garoto iniciante no mercado dos castings levou o trampo. Pretendia aprender o que seria uma produção comercial, de royalties, a linguagem pedagógica e de consciências correta para lidar com crianças, correta para pais workalcoholics que passam pouco tempo com os filhos e são tomados da paranóia de perdê-los... Pais que obrigam baby-sitteres a vestir aventais, jalecos, como enfermeiras para evitar o germe da favela. O mesmo germe que deve estar inoculado na professora, ou na cozinheira que faz o jantar da família. Agora em 2011 mandei meu currículo para um cia. de Parati. Não fui aceito, mas tive a educada promessa de ter o currículo arquivado, no caso de precisarem de alguém com experiência. Isso indica que outro candidato cru, sem a menor noção de manipulação, sem inquietação... de solicitações salariais menores foi aprovado para o trabalho. Novamente, o meu projeto para esse serviço seria o aprendizado. Ninguem é tão completo que não precise de se alimentar de novas informações, mesmo no ambiente dos trabalhos semelhantes muito há de se aprender com os concorrentes. E por considerar que sou um concorrente, talvez, jamais venha a conseguir trabalhar dentro de outra companhia maior. Por falar em trabalho, acabo de ser excluido da programação de uma instituição (hhh) de Bauru. Estava tudo certo, quando o produtor saiu de férias (!!), a substituta argumentando desconhecer o trabalho dispensou nossa cia. Para isso bastava acessar este blog, ou simplesmente o material enviado... ou talvez presenciar os eventos selecionados pelo Sesc São Paulo, onde uma cia. me citou durante uma palestra por um "ótimo trabalho". Daí continuo um estrangeiro na minha própria cidade. Eita vida no campo! Para compensar, vou tornar a casa dos meus pais em teatro. Especificamente a garagem. Quinta-feira apresento LUVAZINE, uma das peças do repertório. Era algo que fazia bem feito ante de sair daqui: o Teatro do Tatame e o Ridimunho Mindim. Tem pessoas que jamais esqueceram. Agora será o Teatro da Rua Xingu. Vamos lá fazer direito, como se deve fazer o teatro feito com arte. Também estou trabalhando em outra marionete, com mais articulações, de madeira. Por isso cada pedacinho leva o dia inteiro para ser feito; porque além de entalhar tem que se ajustar com outro pedaço, daí a demora. CASE EMPRESARIAL: SOCIEDADES EMPÁTICAS. Ontem tivemos uma reunião tensa na empresa. O fulcro da Miyashiro Teatro de Bonecos, que é uma empresa pequena, muito menor que uma micro, portanto ágil e criativa. Criatividade e execução eficaz: ninjas dos bonecos!!! Porem a outra parte da sociedade havia esquecido isso, estava vacilando na pesquisa e desenvolvimento de projetos. É dificil desacomodar, instigar a equipe sair da zona de conforto. Tudo insulta, tudo provoca, tudo é agressivo quando se convoca para sair da letargia e tocar a empresa para frente. De um lado a empresa que funciona, estoque no limite, funcionários a beira de um ataque de nervos, cronogramas cumpridos no último minuto. Do outro o diretor amigo dos funcionários de braços cruzados, máquinas embrulhadas no plástico, tudo parado, limpo, novo, com potencial mas improdutivo, ou pouco produtivo. Ao convocar a outra parte a cumprir a demanda (incrível) o debate descamba para o lado moral, debates sobre competência, capacidade, emotividade, vitimização!!! O inferno! Como despertar as áreas eclipsadas da empresa e fazê-las produzir? Enigma do capital!

sábado, novembro 05, 2011

CANSOU?

Esta é uma canção para aqueles que se ajoelharam diante de seus inimigos. Este é um desenho para aqueles que tiveram todas as portas fechadas. Este é um poema para aqueles que ouviram somente não. Este é um livro para aqueles com dedos apontados diante de si Este é um filme para aqueles que todas as noites ouvem o doer dos amados. Este é um balé para aqueles que apesar de armados sentem-se fracos e desprotegidos. Este grito é para aqueles cujo lamento é mudo. Este teatro é para todo o sofrimento de um corpo infantil. Este choro é para aqueles que não se importam mais. Esta mão é para aqueles que desistiram. A inclemência é uma das patas da vida. Um cão com firme propósito de sangrar suas vítimas. Aproxima, morde, afasta, aproxima novamente... A vida é uma estranha contradição. Todos aprendem a lutar, ...mas viver depende da renúncia em enfrentar. Lutar é um ato contra a vida. Proteger os mais fracos é antinatural. Amar é contra a lei. Não ha amor sem enfrentar o destino Lutamos sempre pelos outros, nunca por nos mesmos. Portanto lutar pelo objeto de desejo sem perecer se chama arte.

quinta-feira, outubro 20, 2011

O VALOR DA ARTE / HOW DOES ART WORTH?

Como cotar o valor de uma obra de arte? Como calcular o valor de um espetáculo? Hoje, valor médio de um espetáculo de teatro de bonecos, com uma equipe de no máximo 3 pessoas, após a crise de 2009 e em meio a recessão de 2011 é de R$1.500,00, em Curitiba. Mesmo através de captação de dinheiro via Lei de Incentivo, o valor de mercado é algo em torno disso. Estou falando de uma pequena companhia que diante da pureza de seus objetivos, em algum momento decide que não vai mais buscar “mamar nas tetas do governo”; que “vai andar sobre as próprias pernas” etc. Desmamar e aprender a andar, para uma cia. Teatral é mais traumático que se pensa. Talvez pela grande oferta de espetáculos gratuitos oferecidos pelo governo municipal, as creches e escolas públicas não compram mais os espetáculos. O dinheiro arrecadado dos pais, ironia, costuma ser gasto em passeios ao cinema, parques de brinquedos, museus até jogos de futebol. Ainda assim, nesse ambiente de desvalorização do produto teatral de pequeno porte, artesanal, familiar em que o artista reune habilidades de confecção, atuação , administração e quiçá musical e de dança! Para suplantar a concorrência, as novas companhias reduzem o preço para escolas particulares, aniversários e outros eventos, algo em torno de R$100,00. Em 1999 até 2000, cobrava R$350,00 para uma apresentação em escola particular ou aniversário, mas desse mercado não vinha minha renda principal. A prefeitura de Araucária compra espetáculos por R$500,00, há pelo menos cinco anos. Ano passado recebi R$100,00 por uma atribulada apresentação num aniversário, substituindo uma cia. de Guaraqueçaba; um colega da Cia. Fio Mágico tentou vender a R$100,00 meus espetáculos, valor em que seria deduzida a sua parte de venda. Agora nesse semestre, sem maior avaliação das cotações, cobrei R$100,00 por cada apresentação em duas escolas de Bauru. Mas o valor de mercado não era R$1.500,00??? Ao propor esse valor perguntam se não faria o espetáculo de graça, como se o teatro fosse um lazer, um hobby, como se fizesse uma pipa, um estilingue no fundo do quintal, e pudesse presentear as crianças da escola de uma diretora (esse sim, nobre trabalho pago, ainda que não reconhecido o seu devido valor!). Pois essas diretora, professora que luta pela valorização da sua profissão, pede para que eu faça o meu trabalho de graça! Bom meus amigos, esse é o quadro do ator-bonequeiro artesanal. Que não obtém os valores das Lei de Incentivo, não recebe investimentos do BNDES, Ministério da Cultura e portanto não tem o apoio dos bancos, indústrias de petróleo, aço, carne, cosmética... A arte sem alinhamento político é arte da fome. Talvez meu próximo espetáculo fale sobre isso. Da fome e seus mais amplos aspectos sociais, culturais e éticos. De como a arte subsidiada se domestica e torna veículo de controle social, perpetuando o humor barato e a poesia frívola. De como o artista movido pelo amor a arte pode suplantar seu ódio pelo sistema.
HOW DOES ART WORTH? How to quote the value of a work of art? How to calculate the value of a spectacle? Today, the average value of a spectacle of puppet theater, with a team of up to 3 people, after the 2009 crisis and amid the recession of 2011 is R$1500,00, in Curitiba. Even by raising money through Cultural Incentive Government Program, the market value is somewhere around that. I'm talking about a small company on the purity of your goals, decide at some point it will no longer seek "to suck on the breast of government" that "to raise on their own feet" and so on. Weaning and learning to walk, to a Theater Company is more traumatic than anyone can hope. Perhaps the large supply of free shows offered by the municipal government, daycare centers and public schools do not buy more shows. The money collected from parents, ironically, is usually spent on trips to the movies, toys parks, museums to football games. Still, in this environment of product depreciation small theater, craftworkers, parent-to-son workers in which the artist brings together puppet sculpture, painting skills, performance, administration, and perhaps to perform music and dance! To overcome the competition, the new companies reduce the price to private schools, birthdays and other events, something around R$100,00. In 1999 to 2000, charged R$350,00 for a presentation in a private school or birthday, but this market was not my main income. The City of Araucaria buying shows for US$ 250.00, for at least five years. Last year I received R$100,00 for a birthday present a troubled, replacing a company from Guaraqueçaba, a colleague of Fio Mágico Company tried to sell the R$100,00 my shows, that value would be deducted from their share of sales. Now this semester, without further evaluation of quotations, collected R$100,00 for each presentation in two schools in Bauru, my birth city. But the market value of R$1.500,00 was not?? In proposing, a teacher/ director ask me if i could do a free perfomance for kids, as if the show would be a pleasure, a hobby, as if making a kite and a slingshot in the back yard, and could give the director of a school children (but this, noble paid job, although not recognized because their value!). For this school director, a teacher who struggle for appreciation of his profession, asks me to do my job for free! Well my friends, this is the picture of puppeteer in Brazil. That it obtains the values ​​of Incentive Government Program does not receive investment of Government Banks, Ministry of Culture and therefore does not have the support of private banks, oil, steel, meat, cosmetics industries ... The art without political alignment is the art of hungry. Maybe my next show, going to talk about it. Hungry and its wider social, cultural and ethical issues. Of how art is subsidized becomes conformable and turning in a vehicle of social control, perpetuating by some cheap humor and frivolous poetry. On the other hand, how the artist moved by the love of art can overcome their hatred for the system.

quarta-feira, outubro 12, 2011

JORNADA PARA O SUL / JOURNEY TO THE SOUTH + english allowed

A jornada para o Sul começou em Maringá-PR. Fui convidado pela Ro e pelo Sandro para o 5º FESTEBOM. Maringá é uma cidade peculiar, em 2009 no auge da crise econômica e do virus H1N1 eu e o Bernardo Grillo fomos apresentar o Trem de Ninguém por lá. A notícia que chegava era o do 1º óbito pela gripe; entupi de imunizante e fomos. O que vimos foi comércio vendendo e platéia lotada! Dessa vez em 2011, a cidade continuava a mesma ou melhor. Por lá encontrei colegas bonequeiros onde trocamos rápidas notícias ou algo mais extenso no café matinal. Tambem pude dar uma recapitulada no trabalhos dos mesmos, o que fiz registrando a Cia. Articularte (foto). O FESTEBOM é um festival feito por famílias e isso que o torna único. Acaba fazendo amizade com os filhos e sobrinhos dos Maranhos e Fagundes. Alguns colegas acabam não percebendo essas peculiaridades devido ao estresse das grandes cidades e acabam fazendo exigências inconvenientes ou simplesmente não dão a devida atenção e respeito aos pagantes da sua arte. Visite o Maringá Shopping; vá a praça de alimentação, compre um chopp Brahma com a simpática atendente e vá sentar no mezzanino que dá vista ao Parque do Ingá... ali pense na vida enquanto dá bicadinhas no chopp.
Voltei a Bauru e alguns dias depois tomei um ônibus até Curitiba e de lá, junto com o Bernardo fomos a Jaraguá do Sul-SC (foto) para o Festival de Formas Animadas. Esse talvez seja o festival predileto das grandes companhias, profissional, grandes platéias. As conversas são rápidas, impessoais, logo encerradas para que a demanda dos serviços seja realizada. Quase não conversamos com os colegas que estavam no festival e quase não conversamos com os palestrantes do seminário que acontece em paralelo ao festival. Exceção da Juliana, uma recem formada em Gestão Ambiental. Ela subiu ao palco para expressar seu encantamento com o espetáculo. Ela se impressionou com um adereço da peça, o trem; achou que ele tinha um mecanismo complexo e ficou um pouco desapontada quando viu que, a estrutura era apenas uma "caixa". Mesmo assim, ela insistiu que a locomotiva era muito expressiva porque tinha uma mola que permitia a chaminé esticar para fora do aparelho. Foi quando percebi o quanto a platéia não discerne: o público não reconhece a manipulação do boneco. Não reconhece o gesto produzido pelo boneco com linguagem, embora interprete com uma idéia generalizada. Algo como bater o olho num cartaz publicitário, saber do que se trata, mas não fez o esforço de "ler" o cartaz. A massa do público ao ver o conjunto do espetáculo é capaz de apreender a sequência de eventos, mas não registra a forma com que os eventos aconteceram. Algo com que muitos bonequeiros se preocupam, mas o público parece não se interessar: a manipulação. Manipulação no teatro de bonecos é comparavel a engenharia da sequência de ilustrações dos filmes animados: Shreck, Toy Story, Carros. a audiência sabe que esses filmes são milhares de vezes mais atrativos que os antigos da Hanna Barbera, a mesma situação ocorre com um espetáculo que tem uma boa manipulação de outro com manipulação menos trabalhada.
Depois de Jaraguá retornamos a Curitiba para duas apresentações no Teatro de Bonecos Dr. Botica. Eu trabalhei nesse teatro desde a sua inauguração. Hoje sua administração esta a cargo da Fundação Cultural de Curitiba. Com infiltrações, moscas saindo pelos ralos, baratas... num teatro dentro de um shopping. As companhias que apresentam no teatro devem fazer um mini-show gratuito antes do espetáculo começar. Esse show costumava lotar a frente do teatro, o que é um atrativo para o shopping, cuja administração não tem o menor interesse por esse mini-show. Mesmo a sorveteria, em frente ao teatro, D'Vicz, sempre reagiu com hostilidade, reclama do som alto, embora o estabelecimento faça parte da "praça dos bonecos"... da minha parte não tomo mais os seus sorvetes. Mas esse desacordo é ruim para todas as partes. A multidão não acumula mais diante do teatro porque as atrações não são mais uniformes e as criações nem sempre são do agrado do público consumidor das lojas. O Botica fica nessa variável, nem é produto de shopping nem resultado criativo.
JOURNEY TO THE SOUTH The journey to the South began in Maringá-PR. I was invited by the producers Ro and Sandro for the 5th FESTEBOM. Maringá is a unique city, in 2009 at the height of the economic crisis and H1N1 virus, me and Bernardo Grillo were invited to present with our puppet theater the Trem de Ninguem there. The news came that there was the death of a victim to the flu, and we were immunizing a lot. What we found was the sidewalks crowded, stores selling and trading with high capacity! This time in 2011, the city remaining the same or better. For where I met fellow puppeteers exchanging quick news or something longer accompanied by breakfast. Could also give a recapitulated in the friend's work, which I did recording the Articularte Co. (photo). The FESTEBOM is a familiar made festival and what makes it unique. Ends up making friends with the sons and nephews of Maranhos and Fagundes. Although some colleagues have just not noticing these peculiarities due to the stress of big cities and end up making demands inconvenient or simply do not give due attention and respect for the buyers of his art. Visit the Shopping Maringá, go to the food place, buy a Brahma beer with the friendly attendant and go sit on the mezzanine that overlooks the Park of Inga ... here think of life as it gives sipped the beer. I went to Bauru and a few days later I took a bus to Curitiba and there, along with Bernard went to Jaragua do Sul, SC (photo) for the Festival de Formas Animadas. This is perhaps the favorite festival of large companies, professional, large audiences. The talks are fast, impersonal, then closed for the demand of services. Hardly talked with colleagues who were at the festival and hardly talked to the speakers at the seminar that takes place in parallel to the festival. Exception of Juliana, a newly formed Environmental Management. She took the stage to express her delight with the show. She was impressed with a prop in the play, a train, thought it had a complex mechanism and she were a little disappointed when she saw that the structure was just a "box". Still, she insisted that the engine was very impressive because it had a spring that allowed the chimney to stretch out from the engine. That's when I realized how much the audience does not discern: the public does not recognize the manipulation of the puppet. Does not recognize the gesture produced by puppet as language must be, though made a general idea. Something like the eye hitting a oudoor, know what it is, but made no effort to "read" the advertising. The mass of the public to see the whole show is able to capture the sequence of events, but does not the way of events happened. Something that many worry about the puppeteer, but the public does not seem to be interested: the manipulation. Handling the puppet theater is comparable engineering of the sequence of illustrations of animated films: Shrek, Toy Story, Cars. Audience to know that these animated films are more a thousand times more attractive than the old Hanna Barbera cartoons, the same situation occurs with a spectacle that has a good handling of another with less manipulation worked. After Jaraguá returned to Curitiba for two shows at the TEatro de Bonecos Dr Botica. I worked in theater since its opening. Today his administration is in charge of the Fundação Cultural de Curitiba. Leaking, flies out of the drain, cockroaches ... a theater inside a mall. Companies in the theater must present a free mini-concert before the show begin. This show used atracted a crowd to the front of the theater, which is an attraction for the mall, whose administration has not the slightest interest in this mini-show. Even the ice cream store in front of the theater, D'Vicz, always reacted with hostility, complains about the loud sound , although the establishment takes advantage of the "square of the puppets" to sell their products... on my part no longer take their ice cream. But that disagreement is bad for all parties. The crowd does not accumulate more on the theater because the attractions are no longer uniform and the creations are not always appreciated by the consuming public stores. The Botica is on this variable, nor is the product of creative outcome or shopping product.

domingo, outubro 02, 2011

Quando o óbvio for única saída. Quando criar for repetir e repetindo todos passam a recordar. Quando o único a me ouvir for eu. e quando não mais suportar nem a mim. Chega a hora que não tendo o que falar, o melhor é calar... Outubro chegou depois dele novembro; e depois o melhor é não saber... Ai destino cruel viver as festas de fim de ano. Gostava de beber e imaginar-me numa borda de um precipício vertiginoso em que declamando Baudellaire mantinha-me suspenso... hoje o precipício que se abre é a trivial náusea do estômago, a nada heróica e desonrosa ressaca oceânica! Afinal a arte depende da carne sem o que sua glória não condensa. Que seria de Romeu e Julieta sem os corpos juvenis, os trágicos ficantes? Ainda não superei o muro da falência hepática. Qual primavera vai suplantar o cinza invernal?